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17:24 em Natal - RN 05 de Dezembro de 2010

05/11/08 Alerta à Juventude Brasileira


05/11/08 O PT e o jogo dos 13 erros


Passado todo o calor da campanha, venho fazer uma avaliação bastante realista da nossa eleição em Natal/RN, eleição que esta que levou à vitória uma jovem prefeita de 38 anos de idade, atravessando na traquéia de Lula o maior aliado dela: o senador José Agripino. A aliança com o DEM derrotou em Natal, de uma vez só, a candidata Fátima Bezerra (PT), o Presidente Lula, a governadora do Estado Wilma de Faria (PSB), o prefeito de Natal Carlos Eduardo (PSB), o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB) e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.

O PT em Natal acabou, não elegeu sequer um vereador. Foram muitos erros e trapalhadas dos quais podemos elencar os 13 emblemáticos:

1 – A escolha da candidata: o acordão fabricado de cima para baixo, em Brasília, longe dos partidos, em torno do PT, PSB e PMDB, foi um processo traumático que passou por cima das normas do PT e mandou para o espaço os candidatos que o próprio partido, na sua maioria, realmente queria;

2 – A escolha do vice: essa foi, inegavelmente, a maior vergonha do acordão. Inicialmente deveria ser uma escolha do PSB que passou a bola para o PMDB, que chamou Deus e o mundo para ser o companheiro de chapa da candidata Fátima Bezerra e que ninguém quis. Somente no dia da convenção, faltando pouco mais de uma hora para o seu término é que recebeu a confirmação de um membro do PMDB, que por sua vez durante o período da manhã já havia dito Não, mas acabou dizendo Sim, não por convicção, mas para salvar o amigo aliado senador Garibaldi Filho de um constrangimento inédito na história política do Rio Grande do Norte;

3 – A escolha do marqueteiro: Esta foi outra crise. Quiseram transformar o marqueteiro da governadora em petista juramentado, só porque ele cobrou um preço pelo seu trabalho, e não pela sua adesão;
4 – A escolha da assessoria jurídica: A opção por profissionais-aliados tornou as ações na justiça, em muitos casos, bem passionais;

5 – Os recursos para a campanha: Lula não mandou, o governo do Estado não liberou e a Prefeitura de Natal muito menos. Tudo isso exposto, com a imprensa e meio mundo de gente sabendo;

6 – O nome da candidata do PT não emplacava: Foi aí que se cogitou uma substituição. O senador Garibaldi Filho deu o primeiro aceno, conversou com aliados e até sugeriu nomes, mas a candidata Fátima esperneou. Foi um episódio desastroso;

7 – Chuvas em Natal: As chuvas, que nunca chegam em época de campanha, este ano foram cruéis. Os alagamentos na zona Norte da cidade, deixaram muitas famílias desabrigadas, e a Prefeitura pouco fez pelos eleitores debaixo d’água;

8 – Os deslizes do prefeito: Padrinho maior da candidata do PT, o prefeito de Natal Carlos Eduardo foi acionado por estar fazendo campanha em horário de trabalho. Foi flagrado na feira com a sua candidata e teve que se defender na justiça;

9 – Os deslizes do prefeito 2: E o prefeito teve de driblar a imprensa, dizendo que um café da manhã que promoveu em um restaurante local para os cargos comissionados da Cultura, era um café em homenagem ao dia do psicólogo. Mesmo sabendo que não tinha um psicólogo na platéia, além da sua candidata a vereadora Cida França. Era um café para pedir votos, que terminou em manchetes de jornais com a chegada de uma equipe da TV Ponta Negra (SBT local). O que impediu a presença da candidata majoritária. Fátima iria, mas foi avisada para nem aparecer;

10 – Saindo pela porta dos fundos: Passado episódio do café da manhã patrocinado pelo prefeito com cargos comissionados da Cultura, eis que a campanha da candidata Fátima protagonizou um novo episódio em outro restaurante, desta vez com cargos comissionados da Secretaria de Transportes Urbanos sendo orientados a votar e trabalhar na campanha, quando mais uma vez chega uma equipe da TV Ponta Negra. A candidata Fátima num ato ridículo corre e se esconde na cozinha. Tudo filmado e exibido na televisão. Sem contar que dentro da cozinha um funcionário filmou, de seu celular, a candidata olhando pela brecha da porta e perguntando: “Eles ainda estão aí?”. Depois, filmada pelas câmeras, ela saiu correndo do restaurante apoiada em uma assessora, entrou no carro e sumiu. Outra vergonha da campanha de Fátima que não poderia ser ignorada pela imprensa;

11 – Caminhadas vazias. As fotos enviadas à imprensa pela própria assessoria da candidata, retratavam bem a realidade. Só com a presença da governadora Wilma de Faria se era possível produzir fotos mais movimentadas;

12 – A força da violência: Durante uma caminhada da candidata do PT, uma equipe da TV Ponta Negra (que pertence a família da candidata Micarla) foi agredida violentamente, um cinegrafista ferido foi para o hospital e a câmera desaparecida. O PT tentou justificar que não havia necessidade da presença de equipe da TV de Micarla no último dia de mobilização da campanha, quando tinha repórter de todos os veículos. Não justificava a agressão. E a quase tragédia preocupou os petistas. O assunto rendeu nas páginas e o PT prometeu pagar a câmera. Assumiu a agressão;

13 – O comício de Lula: Este sim fechou a campanha em crise com chave de ouro. Primeiro pela quantidade de ônibus vindos de cidades do interior para lotar a região da zona Norte da cidade onde pouco tempo atrás, muitos moradores perderam tudo com o alagamento das chuvas. Depois, pelo desastre que foi o próprio presidente. Em vez de dizer que sua candidata era a melhor, desceu o sarrafo, com gosto, no senador José Agripino, líder do DEM no Senado. Chamou uma das principais lideranças da oposição nacional de “esse sujeito”. Fez críticas pessoais à candidata Micarla de Sousa, disparada nas pesquisas exatamente ali onde Lula falava besteira, chamando-a de sem caráter, de sem honradez, e ainda por cima falou sobre seu pai, o ex-senador Carlos Alberto, falecido há dez anos. Foi daí que veio a frase publicada na Veja proferida pela prefeita eleita: “se uma jornalista não pode ser prefeita, por que um torneiro mecânico pode ser presidente?”.

E foi assim que Lula ganhou a antipatia até de quem não votava em Micarla. O presidente popular que não consegue transferir sua popularidade para candidato nenhum, conseguiu transferir a ira das pessoas à sua candidata Fátima Bezerra. Lula, que já não tem um dedo em uma das mãos, quase perde um ou mais dedos do pé. Porque no jogo dos 13 erros o tiro que ele deu foi exatamente no próprio pé.

Por:José Henrique Azeredo

Publicação:Colab. Thaisa Galvão

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